Tecnologia brasileira: soberania começa com capacidade de construir
Meus trabalhos recentes com Positivo Tecnologia, Locaweb e MagaluCloud me fizeram olhar para uma pergunta: como o Brasil pode participar mais das decisões sobre tecnologia, além de consumir o que chega de fora? Para mim, fortalecer empresas nacionais, formar quem constrói e aproximar infraestrutura de problemas reais são partes dessa resposta.
Existe uma relação comercial nessa conversa. Os conteúdos com Positivo Tecnologia e Locaweb estão identificados como publicidade nas publicações originais. Com a MagaluCloud, participei de uma conversa no Cloud Futures, publicada nos canais da NewHack. Trago essas experiências como ponto de partida para meu olhar, sem transformá-las em comparação técnica independente entre fornecedores.
O debate também passa pela infraestrutura
Quando falamos de avanço tecnológico, é fácil começar pela aplicação que chamou atenção. A demonstração de IA impressiona, o protótipo fica pronto e a ideia parece próxima de virar negócio. Depois aparecem outras perguntas: onde isso vai rodar, como sustentar o uso, quem resolve um problema e como planejar a próxima etapa?
É nesse ponto que infraestrutura deixa de ser um assunto distante. Equipamentos, serviços de TI e computação em nuvem fazem parte das escolhas de quem está construindo. Quero que os empreendedores conheçam essas escolhas antes de descobrir seus limites em produção.
Na publicação com a Positivo, falei dessa base que precisa acompanhar o crescimento de uma empresa. A apresentação institucional da companhia apresenta infraestrutura de TI de ponta a ponta, com PCs, servidores e serviços de TI. Esse conjunto ajuda a abrir uma conversa que vai além do computador como produto: a tecnologia precisa servir à operação de quem empreende.
No conteúdo com a Locaweb, o ponto de partida foi a distância entre criar um protótipo e colocar uma aplicação nas mãos de pessoas. A Locaweb Cloud apresenta infraestrutura com servidores no Brasil e suporte em português. São características que podem entrar na avaliação de um projeto, ao lado de arquitetura, custo, disponibilidade e necessidades de suporte.
Já na conversa com Rodrigo Schiavini, da MagaluCloud, no Cloud Futures, o assunto passou por cloud, IA e desafios de startups. A plataforma da empresa apresenta serviços de computação, armazenamento e inteligência artificial. O que me interessa é aproximar esse repertório de quem precisa escolher uma base para construir.
Esses exemplos não provam que uma solução nacional seja a melhor para todo projeto. Mostram por que ela merece fazer parte da conversa. O fornecedor deve responder às necessidades da aplicação, com critérios que a equipe consiga explicar e testar.
Soberania como capacidade de decisão
Quando uso a expressão soberania tecnológica, estou defendendo capacidade de decidir, desenvolver, operar e participar. Quero um Brasil com alternativas, conhecimento e condições de negociar seu lugar na cadeia de tecnologia.
Essa visão convive com a colaboração internacional. Empresas brasileiras trabalham em cadeias que envolvem componentes, padrões, software e parceiros de vários países. Uma marca nacional, por si só, não significa que cada parte de sua tecnologia foi criada aqui. Um datacenter no Brasil também não responde sozinho a todas as perguntas sobre controle, segurança ou continuidade.
Para mim, a discussão fica mais útil quando chega a perguntas concretas. A equipe entende o que está contratando? Consegue exportar seus dados? Há documentação e suporte adequados? Existe um caminho de continuidade se o fornecedor, o preço ou as necessidades mudarem? Estamos formando pessoas capazes de operar e evoluir essa solução?
É assim que uma tese ganha consequências práticas. Ter capacidade local significa também produzir conhecimento, assumir decisões e conseguir mudar de direção com consciência.
Empresas nacionais precisam de espaço para serem avaliadas
Defender a relevância das empresas brasileiras significa colocá-las na avaliação, com exigência técnica e espaço para demonstrar o que fazem. Na minha visão, essa presença importa para que o país desenvolva repertório próprio e gere oportunidades para seus profissionais.
Para um founder, eu começaria por cinco critérios:
- O problema e a arquitetura que o projeto precisa atender.
- O custo da operação, incluindo crescimento e eventual migração.
- A documentação, o suporte e a capacidade da equipe de usar a solução.
- As condições de acesso, exportação e tratamento dos dados.
- A possibilidade de testar antes de assumir uma dependência importante.
Essa avaliação vale para fornecedores brasileiros e internacionais. É um processo de escolha, com experiência prática, que pode revelar onde uma empresa nacional faz sentido e onde outra solução atende melhor.
Colocar o Brasil na conversa global exige gente construindo
Quero ver o Brasil reconhecido pelas tecnologias que cria, pelos profissionais que forma e pelos problemas que consegue resolver. Esse lugar precisa ser construído em produtos, projetos, relações e conhecimento que circule.
Na NewHack, conectamos founders, desenvolvedores e empresas por meio de comunidade, hackathons, conteúdo e encontros. A AI House Brasil amplia essa agenda de construção com inteligência artificial. O trabalho com marcas pode ajudar a aproximar ferramentas e infraestrutura de quem ainda não sabia por onde começar.
É também por isso que vejo valor em conversar sobre empresas nacionais nos meus canais. A discussão sobre soberania precisa chegar às pessoas que tomam decisões pequenas todos os dias: escolher uma ferramenta, aprender uma tecnologia, contratar infraestrutura ou transformar um protótipo em uma operação.
Meu papel, integrado ao ecossistema NewHack, é ajudar essa conversa a acontecer com contexto. O Brasil ganha espaço no debate tecnológico quando mais gente daqui consegue construir, explicar suas escolhas e contribuir com o que aprendeu.