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IA nas empresas: como escolher o primeiro caso de uso

O primeiro projeto de IA da empresa precisa responder a uma pergunta simples: qual tarefa vale melhorar agora, para quem e com qual evidência? A resposta ajuda a escolher o que construir, quem envolver e quando interromper uma ideia que não está funcionando.

É comum começar pela ferramenta. Alguém vê uma demonstração, identifica possibilidades e quer experimentar tudo. Para transformar essa curiosidade em um projeto útil, precisamos dar nome ao problema, conhecer a rotina de quem o enfrenta e definir o que uma melhoria significaria na prática.

Essa escolha complementa a discussão sobre como a IA muda o trabalho de quem está fundando uma startup: construir ficou mais acessível, e decidir o que merece ser construído continua central.

Comece por uma tarefa que alguém já precisa executar

“Usar IA no atendimento” ainda é amplo demais. “Ajudar a equipe a encontrar a orientação correta para uma dúvida recorrente” permite uma conversa mais concreta: onde essa orientação está, quanto tempo a busca consome e como sabemos que a resposta está correta?

O mesmo raciocínio vale para preparar reuniões, conferir documentos ou organizar solicitações. Observe uma tarefa do começo ao fim. Converse com quem a executa e registre frequência, dificuldades e retrabalho. Parte do problema pode estar em informação desatualizada, responsabilidade indefinida ou excesso de etapas.

Ao discutir MVP em uma aula, destaquei a importância de validar a dor e a demanda. Essa pergunta continua relevante dentro de uma empresa: alguém precisa desse resultado e vai incorporar a solução à rotina? Aulão de IA, a partir de 38:56.

Compare as ideias pelos mesmos critérios

Antes de desenvolver, coloque algumas possibilidades lado a lado. Cinco perguntas ajudam a comparar as opções com critérios claros:

CritérioO que precisamos saber
ProblemaQuem enfrenta a dificuldade, com que frequência e com qual consequência?
DadosA informação necessária existe, está atualizada e pode ser usada pela equipe envolvida?
Custo do erroO que acontece se a resposta estiver errada, incompleta ou chegar atrasada?
ResponsávelQuem conhece o processo, acompanha o teste e decide sobre a continuidade?
EvidênciaQual mudança observável justificaria continuar investindo?

Uma ideia pode parecer valiosa e depender de informações que ninguém consegue acessar. Outra pode ser simples de implementar, mas resolver algo que acontece duas vezes por ano. Explicitar essas diferenças evita escolher apenas pela facilidade da demonstração.

A orientação da Microsoft para priorizar casos de agentes de IA considera impacto no negócio, viabilidade técnica e interesse dos usuários. O ponto útil é comparar essas dimensões antes de comprometer a equipe com uma solução. Cloud Adoption Framework.

Um exemplo: encontrar respostas em documentos internos

Imagine uma empresa fictícia cuja equipe comercial perde tempo procurando regras de entrega em documentos espalhados. Há três caminhos possíveis: reorganizar os documentos, criar uma busca convencional ou testar um assistente com IA.

A primeira investigação mostra que parte das dúvidas vem de versões conflitantes. Nesse cenário, corrigir as fontes é uma etapa necessária para qualquer caminho. Um assistente que consulta documentos contraditórios pode apenas tornar a confusão mais rápida.

Depois dessa organização, a equipe pode selecionar perguntas recorrentes e registrar como são respondidas hoje. Para um teste com IA, o escopo inicial poderia ser localizar a regra aplicável e apresentar o trecho de origem para revisão de um vendedor. Concessões comerciais e compromissos com clientes continuariam com as pessoas responsáveis.

O responsável pelo processo verificaria se a orientação encontrada está correta, se a fonte está vigente e quanto trabalho a revisão exige. Se uma página bem organizada resolver a dificuldade com menos esforço, ela pode ser a escolha mais adequada. O objetivo é melhorar a tarefa; a tecnologia entra como uma possibilidade para isso.

Defina o que o piloto precisa ensinar

Antes do teste, registre como a tarefa funciona hoje. Use situações representativas da rotina, incluindo exceções e perguntas sem resposta disponível. Combine com a equipe um período de avaliação, os participantes e os critérios para seguir, ajustar ou parar.

Velocidade é uma parte da avaliação. Também interessa saber se o resultado está correto, se as pessoas conseguem revisar a resposta e se voltam a usar a solução. Tempo economizado na busca pode desaparecer na conferência ou na correção de erros.

Inclua o esforço para preparar dados, manter informações atualizadas e apoiar os usuários. Um piloto que funciona com o desenvolvedor ao lado de cada pessoa ainda precisa mostrar como será operado no cotidiano.

Ao final, procure responder: a tarefa melhorou? Para quais situações? O que continua dependendo de intervenção? Qual seria o custo de manter essa melhoria? Essas respostas são mais úteis para a próxima decisão do que uma demonstração escolhida porque deu certo.

Construir e operar exigem responsabilidades claras

A IA ampliou a possibilidade de pessoas de negócio colocarem ideias para funcionar. Ao mesmo tempo, compreender o que foi construído continua necessário. Na mesma aula, fiz essa ressalva ao falar de aplicações criadas com IA: uma demonstração funcional não equivale a domínio sobre a solução. Aulão de IA, a partir de 46:18.

Por isso, envolva quem entende do processo e quem responderá pela operação técnica. A passagem do teste para o uso recorrente exige decisões sobre acesso, manutenção, falhas e suporte. Essas responsabilidades precisam de pessoas e tempo disponível.

O primeiro caso de uso bem escolhido deixa uma entrega e um aprendizado: a empresa entende melhor o problema, as condições em que a IA ajuda e o que precisa mudar para avançar.

Se sua empresa está organizando desafios para conectar negócio, tecnologia e novos talentos, conheça a frente de inovação corporativa da NewHack.

Founder da NewHack e da Entrypoint. Cofundador e ex-CEO da Shawee, que se fundiu à Rocketseat, onde foi COO e CEO. Aplica essa experiência na conexão entre empresas, desenvolvedores e empreendedores. Lidera também a AI House Brasil e escreve sobre empreendedorismo, inovação e IA aplicada a quem constrói.