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O que a AbacatePay ensina sobre escolher um nicho e construir com a comunidade

Na OpenClass da NewHack, Daniel Lima compartilhou decisões sobre produto, risco, distribuição e o papel da IA na construção de negócios.

Foto de grupo dos participantes da Open Class da NewHack.
Participantes reunidos ao final da Open Class da NewHack com Daniel Lima, da AbacatePay. Foto: Brunno Matias

Entre as primeiras funcionalidades da AbacatePay havia um roadmap aberto. Um usuário pedia uma mudança no webhook, outro queria login com Google. A equipe implementava, marcava a entrega no quadro e voltava para avisar quem havia feito a sugestão. Daniel Lima contou essa dinâmica na OpenClass da NewHack ao explicar como um produto de pagamentos começou a tomar forma dentro de uma comunidade.

A história ajuda a entender uma decisão que aparece em muitos negócios: por onde começar quando o mercado parece ocupado por empresas maiores? No relato de Daniel, a resposta passou por conhecer uma dor de perto, escolher quem seria atendido primeiro e aprender o que existia por trás da integração que o cliente usaria.

A NewHack OpenClass aproxima a comunidade de founders e líderes que compartilham experiências práticas de construção de empresas. A conversa com o cofundador da AbacatePay integra esse repertório com decisões sobre produto, operação, distribuição e os limites de crescer seguindo cada oportunidade que aparece.

Fintech é o começo da conversa

Daniel comparou dizer que se tem uma fintech a dizer que se tem um SaaS: a categoria ainda deixa em aberto o problema resolvido. Pagamentos, crédito, seguros e gestão financeira envolvem clientes, operações e desafios diferentes. É preciso chegar a uma definição mais específica.

Você falar que é fintech não diz quase nada.

Daniel Lima, cofundador da AbacatePay

O enquadramento também importa para entender o que a empresa faz. O Banco Central descreve diferentes categorias de fintechs. No caso da AbacatePay, o próprio site a apresenta como uma plataforma de tecnologia que intermedeia pagamentos por meio de instituições parceiras. A experiência que chega ao usuário depende de uma cadeia de serviços e responsabilidades.

O primeiro mercado estava perto

Ao recuperar o início da AbacatePay, Daniel contou que ele e o sócio, Christopher Ribeiro, já conviviam com pessoas construindo produtos digitais. Integração de pagamentos e comunicação com os fornecedores eram dificuldades que os dois também conheciam. Esse grupo se tornou o primeiro público para o MVP.

O recorte trouxe uma vantagem prática: os founders conseguiam conversar com quem pretendiam atender e reconhecer as necessidades descritas. API e comunicação viraram pilares do produto. O roadmap aberto encurtava o caminho entre um pedido, a implementação e a resposta ao usuário.

Daniel descreveu esse movimento como crescer de dentro para fora. Para quem está começando, há uma pergunta útil nessa experiência: existe um grupo identificável com o mesmo problema e disposição para experimentar uma solução? Encontrá-lo permite testar uma proposta concreta antes de ampliar o mercado pretendido.

Ouvir pedidos exige critério

Uma pergunta da plateia trouxe a tensão que acompanha essa proximidade: como separar uma boa sugestão de uma demanda muito específica? Daniel respondeu com o perfil de cliente ideal, conhecido como ICP. É esse recorte que ajuda a avaliar se um pedido fortalece o produto ou muda sua direção.

Ele citou uma negociação com um potencial cliente de outro segmento. Para atendê-lo, seria necessário desenvolver uma funcionalidade que consumiria meses e interromperia o planejamento existente. A oportunidade colocava uma escolha na mesa: manter o caminho traçado, adaptar o produto ou assumir uma mudança de foco.

Daniel reconheceu que mudar de direção também pode fazer sentido. A questão é decidir isso de forma consciente. Um pedido grande precisa ser comparado com o trabalho que será adiado, os clientes que deixarão de ser atendidos e a empresa que os founders querem construir.

Apresentação em uma tela durante a Open Class, vista pela plateia.
Apresentação durante a Open Class da NewHack com a AbacatePay. Foto: Brunno Matias

A complexidade continua depois da integração

Boa parte da conversa foi dedicada ao trabalho necessário para operar pagamentos. Daniel falou sobre conhecer os clientes, construir relações com parceiros, acompanhar regras e manter a infraestrutura disponível. Ao responder sobre dificuldades, apontou a confiança dos provedores como um dos primeiros desafios fora do código.

Na parte técnica, trouxe a construção do registro interno das movimentações, chamado ledger, e a evolução dos processos de identificação e acompanhamento de clientes. Também destacou a disponibilidade do serviço: uma integração simples para quem vende depende de trabalho contínuo nos bastidores.

Essa diferença apareceu quando ele comparou a operação de Pix à de cartão. A expansão exigia aprender outro conjunto de regras, participantes e riscos. Pelo relato, acrescentar uma forma de pagamento envolveu mais do que oferecer uma nova opção no checkout.

Seja nerd e não tenha ego.

Daniel Lima, cofundador da AbacatePay

A frase resume a combinação que Daniel defendeu: aprofundar o conhecimento do negócio e continuar aberto a ser contestado. Ele estendeu a recomendação a outros setores. Quem desenvolve software para uma atividade precisa entender como ela funciona na prática, inclusive onde o produto pode falhar.

Quando a IA também participa da integração

A inteligência artificial apareceu ligada à mudança de público. Daniel observou que ferramentas assistidas por IA permitem a mais pessoas construir software, inclusive profissionais que não começaram como desenvolvedores. Para uma infraestrutura de pagamentos voltada a quem constrói, isso amplia as situações em que a integração precisa funcionar.

Ele apresentou a documentação preparada para ferramentas de IA e comentou o uso de MCP. A documentação pública da AbacatePay descreve um servidor MCP para executar ações na API a partir de clientes compatíveis, além de arquivos de contexto para apoiar a geração de código. São funções diferentes, com aplicações próprias.

A leitura para founders é observar quem passa a interagir com o produto e por qual caminho. Além de uma interface e de uma API, a documentação pode fazer parte da experiência de um usuário que constrói com IA. Daniel também relatou tutoriais criados pela própria comunidade, conectando facilidade de integração e circulação de conhecimento.

Duas pessoas posam diante da tela do encontro; uma usa camiseta da AbacatePay.
Registro do encontro da Open Class da NewHack com a AbacatePay. Foto: Brunno Matias

Uma comunidade que conversa com o produto

Perto do fim, o roadmap voltou à conversa. Daniel mostrou que as sugestões continuavam chegando, agora com uma etapa de análise antes de entrar no quadro público. Entre discussões sobre infraestrutura e segurança, contou que uma das funcionalidades mais pedidas havia sido o modo escuro.

O exemplo dá uma medida concreta dessa relação. Usuários enxergam necessidades que a equipe pode deixar em segundo plano; a equipe precisa ouvi-las e, ao mesmo tempo, sustentar escolhas de foco e operação. A experiência compartilhada na OpenClass oferece esse ponto de partida: escolher para quem construir, manter a conversa próxima e aprofundar o trabalho que torna cada entrega possível.

A NewHack é um ecossistema que conecta empresas, founders e inteligência artificial por meio de imersões, missões internacionais, hackathons, investimento e da AI House Brasil, sua residência de startups AI-first.

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