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De Las Vegas a São Paulo: o que a Oracle trouxe para as empresas brasileiras

Uma semana depois do Oracle AI World, a Oracle trouxe a São Paulo um download da conferência global. No Oracle AI Experience Brasil, o assunto passou pelos sistemas que as empresas já usam, pelas regras que precisam respeitar e pelos processos em que a inteligência artificial pode gerar resultado.

Arte do Oracle AI Experience, com o nome do evento sobre fundo azul.
Identidade visual do Oracle AI Experience.

O Oracle AI World aconteceu de 25 a 28 de outubro em Las Vegas. Em 4 de novembro, exatamente uma semana depois do encerramento, a agenda brasileira incluiu a sessão AI World Las Vegas Download, com Adrián Durán e Marcelo Christianini. A edição em São Paulo combinou essa atualização com conversas entre clientes, parceiros e equipes técnicas. Segundo Paulo Ribeiro, diretor de marketing da Oracle para a América Latina, a programação foi montada para mais de dois mil participantes ao longo de dois dias, com cerca de 80 sessões.

A Oracle escolheu o Beyond The Club, em São Paulo. O clube iniciou a operação em 2025 e anunciou em outubro de 2026 a abertura do Terraço The View, seu novo espaço de eventos. O Oracle AI Experience Brasil foi o primeiro evento corporativo realizado no terraço. A piscina de ondas junto à Marginal Pinheiros situa o encontro: de um lado, um clube de surfe em plena cidade; do outro, salas com laboratórios, painéis e clientes discutindo como levar IA para a operação.

Piscina de ondas do Beyond The Club, em São Paulo.
Piscina de ondas do Beyond The Club, em São Paulo.

O download ganhou sotaque local

Em Las Vegas, a conversa era sobre a direção da plataforma. Em São Paulo, a agenda colocou essa direção diante de operações com regras próprias. O dia 4 trouxe finanças e saúde, além de laboratórios sobre agentes conectados ao Oracle AI Database, infraestrutura da NVIDIA na nuvem da Oracle e engenharia com Codex. Governança, segurança e integração atravessaram essas trilhas.

Um agente para uma operação financeira, por exemplo, precisa saber quais dados pode acessar, o que pode executar sozinho e em que momento deve devolver a decisão a uma pessoa. Se não houver como reconstruir o caminho até uma decisão, é difícil corrigir um erro ou entender por que um caso excepcional foi tratado como rotina. Essa é a parte do trabalho que aparece quando a demonstração precisa caber numa operação de verdade.

Participantes circulam pela área Village Ecosystem no Oracle AI Experience Brasil.
Área Village Ecosystem do Oracle AI Experience Brasil.

Dados: uma consulta pode rodar e responder à pergunta errada

O laboratório de São Paulo sobre agentes com o Oracle AI Database 26ai dá um exemplo de como a agenda local se conecta ao que saiu em Las Vegas. A versão 26.10 do Private Agent Factory, publicada em 26 de outubro, acrescentou o Deep NL2SQL, que ajuda a transformar perguntas em linguagem natural em consultas SQL usando definições do negócio. A ferramenta também permite inspecionar a consulta gerada.

Imagine um gestor de varejo perguntando quais lojas perderam margem. A resposta muda se a empresa considerar devoluções na data da venda ou na data do estorno, e se atribuir frete e descontos à loja ou ao canal digital. O banco informa onde os valores estão. Alguém da operação precisa definir como eles entram na conta. Antes de colocar o agente à disposição da equipe, vale testar perguntas cujo resultado já é conhecido, incluindo casos em que a definição muda a resposta.

A Oracle também anunciou uma camada semântica para o Autonomous AI Lakehouse, voltada a compartilhar definições de métricas e contexto entre fontes de dados, incluindo tabelas Apache Iceberg. Aqui a distinção de prazo importa: o comunicado prevê essa capacidade para os 12 meses seguintes ao anúncio. É uma direção da plataforma, não um recurso que se possa presumir disponível no ambiente de cada cliente.

Aplicações: a autorização importa quando o agente passa a agir

Na outra ponta, os anúncios para Oracle Fusion mostram uma aposta em agentes dentro de processos como finanças, RH e cadeia de suprimentos. O Fusion Claw é o ambiente de execução usado nessas aplicações. O Fusion Companion e o Agentic Home foram apresentados como formas de descrever um objetivo, delegar o trabalho e acompanhar seu andamento. Essa é a conexão com a trilha brasileira de aplicações empresariais: além de responder perguntas, o software começa a coordenar etapas de um processo.

Uma forma de avaliar a proposta é acompanhar uma exceção, não apenas o caso que já corre bem. Em contas a pagar, um agente pode reunir informações de uma cobrança divergente e encaminhá-la à pessoa responsável. Liberar o pagamento é outra ação, sujeita a alçadas e controles diferentes. Um piloto precisa mostrar qual etapa foi autorizada, como o sistema registra o que aconteceu e o que a equipe faz se uma execução parcial deixar o processo no meio do caminho.

Isso ajuda a entender a estratégia: a Oracle está conectando o lugar onde os dados vivem, as ferramentas que interpretam esses dados e os sistemas que registram o trabalho. Para o cliente, a vantagem potencial é aproveitar contexto e permissões que já existem. A pergunta é quanto desse contexto continua acessível quando o fluxo cruza ferramentas de outros fornecedores, e quanto esforço a equipe precisa investir para manter essa integração.

Startups ganham velocidade. A escala depende do acesso à operação

Marcelle Paiva, vice-presidente do Hub de IA da Oracle para a América Latina, apontou uma vantagem das startups que nascem com IA: elas podem desenhar o processo desde o início, sem reorganizar décadas de sistemas e rotinas. Ela também destacou o desafio de conquistar clientes e chegar aos dados e problemas que tornam a solução relevante.

Uma parceria faz diferença quando dá acesso a uma tarefa que vale resolver e a alguém que pode acompanhar o teste. Uma startup pode chegar com velocidade técnica; uma grande empresa conhece as exceções do processo e pode mostrar o que acontece quando o volume cresce. Para as duas, um piloto fica mais útil quando começa com um critério claro: que resultado precisa melhorar, em comparação com o processo atual, para justificar uma implantação?

Na robótica, o ambiente faz parte do produto

A discussão também chegou à IA física. Victor Rysovas, diretor da AutorIA, descreveu provas de conceito com o humanoide Cruiser S2. O foco está em descobrir quais tarefas fazem sentido e o que precisa ser adaptado e treinado para cada ambiente.

Uma demonstração de manipulação de objetos ajuda a mostrar a capacidade do equipamento. A decisão de colocá-lo em uma fábrica ou galpão passa por outras perguntas: a tarefa se repete o suficiente, o robô funciona com as variações do local e a equipe consegue operar e manter o sistema? É um bom exemplo de como o resultado depende tanto da implantação quanto da tecnologia.

O que acompanhar no segundo dia

Para 5 de novembro, a agenda da Oracle prevê uma keynote com participação da OpenAI, discussões sobre soberania de dados com Dataprev, Serpro e Caixa e trilhas voltadas a setor público, varejo, telecomunicações e aplicações empresariais.

Um caso útil mostra o processo antes e depois da IA. Em um piloto de triagem, por exemplo, reduzir o tempo até o primeiro encaminhamento diz pouco se a fila de revisão humana cresce na mesma proporção. Um caso convincente mostra o tempo até a resolução, as exceções que precisaram de intervenção e o custo de manter o fluxo. É esse tipo de evidência que permite avaliar o que saiu da demonstração e entrou na rotina.

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Founder da NewHack e OpenAI Codex Ambassador. Cofundador e ex-CEO da Shawee, que se fundiu à Rocketseat, onde foi COO e CEO. Aplica essa experiência na conexão entre empresas, desenvolvedores e empreendedores. Lidera também a AI House Brasil e escreve sobre empreendedorismo, inovação e IA aplicada a quem constrói.

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