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Ecossistema de IA no Brasil: como participar e criar conexões úteis

Participar do ecossistema de IA no Brasil começa por escolher o que você precisa aprender ou construir e encontrar pessoas que lidam com esse problema. Comunidades, universidades, empresas e encontros oferecem portas de entrada diferentes. O valor aparece quando uma conversa ajuda a esclarecer uma decisão, testar uma ideia ou dar continuidade a um projeto.

Quando organizo um evento, uma das coisas em que penso é quem deveria conhecer quem. Contei isso na conversa com Lucas Abreu, no Aura: observar os participantes e cuidar das apresentações faz parte do trabalho de receber as pessoas. Uma conexão pertinente começa por entender o momento de cada lado. Aura, a partir de 07:32.

Para quem está chegando agora, sugiro aplicar essa mesma atenção à própria participação: ter contexto para compartilhar, uma pergunta concreta e disposição para contribuir.

O que faz parte de um ecossistema de IA?

Um ecossistema de inteligência artificial reúne pessoas e organizações que pesquisam, desenvolvem, financiam, ensinam e aplicam a tecnologia. Quem produz conhecimento, quem constrói ferramentas e quem conhece um problema de negócio precisa conseguir conversar.

Uma comunidade pode aproximar esses participantes, enquanto uma universidade desenvolve pesquisa e uma empresa oferece um contexto real de aplicação. As relações entre esses ambientes ajudam conhecimento e necessidades a circular.

O mapeamento do OCIAAM, desenvolvido por pesquisadores ligados à USP e ao CIAAM, permite explorar instituições, áreas de pesquisa e redes de colaboração em IA no Brasil. Ele mostra uma parte desse ecossistema: a produção de conhecimento e suas conexões. Para um empreendedor, isso amplia a busca por interlocutores além dos eventos de negócios.

Escolha a porta de entrada de acordo com o problema

“Quero aprender IA” pode levar a centenas de conversas. “Quero entender como avaliar um assistente que consulta documentos” ajuda a encontrar alguém com uma experiência relevante.

Uma forma prática de orientar a procura é relacionar a dúvida ao tipo de interlocutor:

O que você precisa entenderOnde procurar uma conversa
Como construir e testar uma aplicaçãoGrupos de desenvolvedores, oficinas e hackathons
Se um problema merece uma soluçãoPessoas que executam a tarefa e potenciais usuários
Como avaliar uma questão técnica específicaPesquisadores, especialistas e equipes que já a enfrentaram
Como colocar o produto no mercadoFundadores e profissionais do setor em que você quer atuar

Para aprendizado técnico, o Build with AI, do Google, reúne oficinas e encontros ligados às comunidades locais de desenvolvedores. Para pesquisa, o atlas do OCIAAM ajuda a localizar instituições e temas. Para se aproximar de founders, vale buscar ambientes que ofereçam convivência e troca sobre problemas de construção de empresas. Confira a proposta e a agenda de cada iniciativa antes de participar.

Leve contexto suficiente para receber uma boa ajuda

Uma apresentação útil pode caber em quatro frases: o que você faz, qual problema está investigando, o que já tentou e o que gostaria de entender. É uma sugestão de preparação, adaptável à conversa.

Imagine uma situação hipotética: uma fundadora quer investigar perdas de estoque em pequenos mercados. Em um encontro, ela explica que está estudando como os lojistas planejam compras e quer conhecer alguém que já trabalhou com previsão de demanda. Quem conhece uma experiência parecida tem mais condições de ajudar ou fazer uma apresentação pertinente.

Ela também pode oferecer algo: explicar o processo do seu setor, testar uma demonstração ou compartilhar uma referência pública. Conhecimento de negócio tem valor para quem está construindo tecnologia. Uma boa troca permite que os dois lados aprendam.

Combine um próximo passo que faça sentido

Depois de uma conversa produtiva, registre o assunto e o que foi combinado. Se houver interesse dos dois lados, uma mensagem pode retomar o contexto:

Gostei da nossa conversa sobre previsão de demanda. Você comentou que a sazonalidade foi uma das dificuldades do projeto. Separei a referência que mencionei; se for útil, posso compartilhar também o que estamos aprendendo nas conversas com lojistas.

Esse é um exemplo de mensagem, não uma fórmula para enviar em escala. Use apenas compromissos que você possa cumprir. Uma conversa pode terminar em uma referência útil; outra, em um teste conjunto. O próximo passo deve acompanhar o interesse e a disponibilidade das pessoas.

Ao falar de distribuição no Aulão 2, destaquei o papel de comunidade, conteúdo e conexões quando ficou mais fácil construir aplicações parecidas. Ter contato com pessoas que podem usar, questionar e recomendar uma solução faz parte do trabalho de empreender. Isso exige relacionamento e entendimento do problema. Aulão 2, a partir de 01:08:13.

Como saber se a participação está ajudando?

Depois de alguns encontros, observe o que mudou: você formulou melhor o problema? Encontrou alguém com experiência pertinente? Recebeu uma crítica que alterou o teste? Conseguiu contribuir para o trabalho de outra pessoa?

Esses sinais ajudam a escolher onde continuar presente. A recorrência permite retomar conversas e compartilhar o que aconteceu depois de uma sugestão. Para quem organiza esses ambientes, aprofunde a outra perspectiva no texto sobre como construir uma comunidade no ecossistema de inovação.

Para ampliar a leitura sobre as condições que sustentam diferentes ecossistemas, veja também nossa análise de infraestrutura e escala da IA na China.

Se você quer se aproximar dessa troca entre founders e projetos de IA, conheça a AI House Brasil, iniciativa da NewHack e da Entrypoint. Veja como a proposta se conecta ao seu momento e leve uma pergunta concreta para a próxima conversa.

Founder da NewHack e da Entrypoint. Cofundador e ex-CEO da Shawee, que se fundiu à Rocketseat, onde foi COO e CEO. Aplica essa experiência na conexão entre empresas, desenvolvedores e empreendedores. Lidera também a AI House Brasil e escreve sobre empreendedorismo, inovação e IA aplicada a quem constrói.