Uma conversa sobre como trabalhar juntos
Na programação de 12 de outubro de 2026 na Shanghai Business School, em Xangai, o grupo participou de uma aula sobre cultura empresarial e cooperação entre pessoas de diferentes países. O Q&A aproximou o tema das dúvidas de quem lidera equipes, negocia parcerias e tenta compreender um mercado novo.
Coletivo, confiança e horizonte de longo prazo foram pontos centrais da aula. São perspectivas úteis como perguntas de investigação. Pessoas, organizações e setores têm experiências distintas; observar essas diferenças torna a conversa mais precisa.
Criar benefício antes de repartir resultado
A cooperação apareceu como uma tentativa de ampliar o benefício disponível para os envolvidos. Na explicação recebida, uma relação comercial pode incluir possibilidades que vão além da compra imediata: construir uma oferta conjunta, desenvolver um mercado ou resolver um problema em parceria.
Isso muda a preparação da conversa. Além de apresentar o que a startup vende, vale entender o que o outro lado precisa alcançar e qual combinação de capacidades poderia produzir um resultado melhor. O preço continua relevante, mas entra em uma discussão com mais variáveis.
Como contexto complementar, o Program on Negotiation da Harvard Law School organiza a negociação de ganhos mútuos em três movimentos: esclarecer interesses, imaginar opções e avaliar essas opções por critérios acordados. Essa abordagem oferece uma ferramenta para transformar a ideia de cooperação em trabalho concreto. Negociação e criação de valor, PON.
O coletivo e o desenvolvimento individual
Uma pergunta do grupo colocou em discussão a relação entre mérito individual e participação em um coletivo. A resposta reconheceu a formação e o crescimento pessoal, ao mesmo tempo que destacou a necessidade de atuar em sistemas de relações e contribuir para resultados compartilhados.
A aula também propôs uma comparação sobre o que motiva a colaboração. Na perspectiva apresentada, a cooperação pode surgir porque uma pessoa encontra os limites de trabalhar sozinha ou porque já atribui importância ao coletivo. A distinção se refere à motivação, e não à presença ou ausência de talento individual.
Para um founder, a aplicação é observar os incentivos da equipe concreta: o que cada pessoa considera reconhecimento, como enxerga sua responsabilidade e de que maneira entende a contribuição dos colegas. Conversar sobre esses pontos ajuda a alinhar expectativas sem reduzir pessoas à sua nacionalidade.
Confiança começa por compreender o papel do outro
No Q&A sobre integração entre profissionais brasileiros e chineses, a recomendação foi começar pelas responsabilidades: o que cada pessoa veio fazer, quais objetivos precisa cumprir e em que atividades pode receber apoio. A sugestão foi apresentada como uma orientação pessoal baseada em experiência.
O cuidado com a adaptação também entrou na conversa. Oferecer informações práticas sobre a cidade e criar oportunidades de convivência foram exemplos de acolhimento. O ponto era tornar a relação mais compreensível e próxima, sem abandonar os interesses de nenhum dos lados.
A relação pode amadurecer em encontros e refeições, com paciência antes de pressionar uma negociação. Para quem empreende, é tempo de compreender o interlocutor e demonstrar consistência. O ritmo deve ser conversado com as pessoas envolvidas.
Essa dimensão humana pode caminhar com uma rotina profissional clara. Combinar responsáveis, entregas e retornos pode permitir que o respeito se traduza em comportamentos observáveis. A confiança encontra espaço na atenção à pessoa e na consistência do trabalho.
Escutar e abrir espaço para discordar
Escutar sem interromper e cuidar da forma de discordar ajudam a construir uma conversa produtiva. Perguntas e sugestões podem criar espaço para explicar diferenças, preservando o respeito e evitando expor desnecessariamente o interlocutor. A forma mais adequada depende da relação, do ambiente e das preferências das pessoas.
Para um founder, a aplicação é confirmar o que foi entendido e pedir exemplos antes de concluir que houve acordo. Cumprir compromissos e avisar dificuldades cedo também tornam a relação mais previsível. Uma conversa cuidadosa ganha força quando é acompanhada de entregas e comunicação clara.
Diferença pede comunicação e vontade de resolver
O debate sobre conflitos destacou a disposição das partes para continuar cooperando. A pergunta útil era o que sustenta a relação quando aparecem diferenças de expectativas ou dificuldades de execução. A aula relacionou comunicação, interesse na continuidade e entendimento do benefício compartilhado.
Para colocar essa reflexão em prática, uma equipe pode separar três questões: o que aconteceu, como cada lado interpretou o ocorrido e qual decisão precisa ser tomada. Esse exercício abre espaço para ouvir antes de atribuir intenções.
A UNESCO MGIEP associa competência intercultural a escuta, respeito, curiosidade, abertura, reflexão e compreensão de outras perspectivas. O repertório complementa a aula ao tratar a comunicação como uma habilidade que pode ser desenvolvida. Competência intercultural, UNESCO MGIEP.
O longo prazo precisa de passos verificáveis
Planejamento, estabilidade e resiliência apareceram na apresentação como características valorizadas na construção de relações empresariais. Houve também a ressalva de que essas características estão presentes em outras culturas. O aprendizado é prestar atenção ao horizonte de cada parceiro.
Uma proposta de expansão pode envolver prazos diferentes para validar produto, conquistar clientes e recuperar investimento. Explicitar essas expectativas permite descobrir se o projeto tem uma ambição compartilhada. Um vínculo duradouro precisa de critérios para avaliar sua evolução.
Como aplicação para startups, um piloto pequeno pode testar a relação antes de um compromisso maior: problema definido, pessoas responsáveis, condição de sucesso e uma data para decidir o próximo passo. O horizonte de longo prazo orienta a direção, enquanto as entregas próximas ajudam a aprender.
Cooperar ou competir depende do contexto
O encerramento trouxe uma pergunta sobre empresas do mesmo setor. A resposta evitou escolher um modelo absoluto. A cooperação pode fazer sentido diante das capacidades disponíveis e do desafio de desenvolver um mercado; em outras situações, a empresa pode optar por avançar de forma independente.
Para founders, a análise começa pelo escopo: em que atividade a colaboração cria valor, quais recursos cada parte oferece e como as decisões serão tomadas. Duas organizações podem compartilhar um projeto específico e manter estratégias próprias em outras frentes. Definir a fronteira da colaboração torna a proposta mais clara.
Adaptar a oferta e compreender os canais
Pesquisa de mercado e adaptação da proposta ajudam a compreender um mercado novo. Custo-benefício, praticidade e reputação podem funcionar como hipóteses para investigar em segmentos definidos. Entrevistas com clientes, testes de uso e observação dos canais ajudam a entender o que realmente pesa na decisão de compra.
O KFC oferece um exemplo público de localização. Em divulgação de 18 de janeiro de 2022, a Yum China descreveu produtos inspirados em cozinhas regionais, incluindo congee no café da manhã e noodles de Wuhan. A empresa apresentou a adaptação como parte de sua estratégia de inovação de cardápio. Adaptação regional do KFC, Yum China.
Para uma startup, o exercício é descobrir quais partes da oferta precisam mudar: funcionalidade, apresentação, serviço ou distribuição. Um parceiro local pode ajudar a compreender canais e hábitos de compra; essa contribuição precisa ser avaliada na prática. Conhecer ocasiões de consumo e festividades do público também pode orientar testes mais relevantes.
A ponte entre Brasil e China precisa de tradução operacional
Como contexto público, em 11 de agosto de 2025 o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional anunciou um memorando com a China voltado à cooperação em desenvolvimento regional. Entre as prioridades descritas estavam inovação regional, atividades produtivas e intercâmbio de experiências. Cooperação bilateral anunciada pelo MIDR.
Essa agenda institucional situa possibilidades de aproximação. Para uma startup, a oportunidade precisa ser construída em um problema específico, com um interlocutor identificado e uma proposta que faça sentido para ambos. Conhecimento de clientes brasileiros, capacidade tecnológica e operação local podem entrar nessa conversa como hipóteses de complementaridade.
O trabalho de tradução vai além do idioma. Inclui confirmar o significado das entregas, a autonomia de quem negocia, o processo de decisão e o resultado esperado. Com isso, uma visita deixa de ser apenas uma troca de cartões e pode se transformar em uma sequência de conversas úteis.
Perguntas para levar à próxima reunião
| Tema | Pergunta de trabalho |
|---|---|
| Benefício mútuo | Que problema cada lado quer resolver e como saberemos se ambos ganharam? |
| Pessoas e papéis | Quem participa da execução e quem pode decidir o próximo passo? |
| Confiança | Que informação e apoio tornam a relação mais clara para as pessoas envolvidas? |
| Comunicação | Como vamos registrar decisões e tratar interpretações diferentes? |
| Tempo | Qual é o horizonte da parceria e qual entrega será avaliada primeiro? |
| Escopo | Onde faz sentido colaborar e quais atividades seguem independentes? |
Um primeiro passo para testar a parceria
- Escolha uma oportunidade concreta e escreva o resultado esperado por cada parte.
- Confirme responsabilidades, disponibilidade e processo de decisão com os interlocutores.
- Combine a apresentação e a troca de contatos, confirme feriados e disponibilidade, respeite temas que o interlocutor prefira reservar e mantenha uma postura de igualdade.
- Proponha uma entrega pequena que permita aprender sobre produto e colaboração.
- Registre critérios de avaliação e marque o retorno para comparar o que foi combinado com o que aconteceu.
- Use as diferenças percebidas para fazer perguntas melhores e ajustar a próxima etapa.