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O que um investidor realmente olha numa startup em estágio inicial

Founder costuma achar que investidor decide olhando planilha. Depois de anos analisando startups em estágio inicial, posso dizer com tranquilidade: no começo, a planilha é a última coisa. O que pesa é outra coisa, e quase ninguém prepara o founder para isso. Vou ser direto sobre o que realmente importa.

O que um investidor olha primeiro numa startup em estágio inicial?

O founder. Antes do produto, antes do mercado, antes da métrica. Numa startup em estágio inicial, quase tudo ainda vai mudar, o produto vai girar, o mercado vai se revelar diferente, os números de hoje não valem quase nada amanhã. A única constante ao longo dessa jornada é quem está tocando. Por isso a primeira pergunta que eu faço não é 'quanto vocês faturam', é 'quem é você e por que você'.

Isso assusta founder que preparou um deck cheio de gráfico. Mas é libertador quando você entende: no estágio inicial, você não está vendendo uma empresa pronta. Está vendendo a sua capacidade de descobrir a empresa certa no meio do caminho.

O que faz um investidor acreditar no founder?

Algumas coisas que eu procuro, sem ordem rígida:

  • Obsessão pelo problema. Founder que conhece a dor do cliente melhor do que qualquer um transmite uma confiança que nenhuma projeção financeira substitui.
  • Clareza de pensamento. Não é sobre saber todas as respostas, é sobre pensar com nitidez sobre o que não sabe. Founder confuso na cabeça constrói empresa confusa.
  • Velocidade de aprendizado. O que a startup é hoje importa menos do que a rapidez com que o founder aprende e corrige. Eu aposto em quem melhora rápido.
  • Honestidade sobre o que não funciona. Founder que esconde os problemas no pitch me preocupa mais do que os problemas em si.

E as métricas, não contam nada?

Contam, mas o peso delas depende do estágio. Numa rodada mais avançada, número é rei. No estágio inicial, métrica serve menos para provar que a empresa já deu certo e mais para mostrar que o founder sabe medir a coisa certa. Um founder que acompanha os indicadores que realmente importam para o negócio dele, mesmo que ainda pequenos, me diz mais do que um gráfico de crescimento sem contexto.

O erro comum é inflar o deck com métricas de vaidade, número grande que não significa nada. Investidor experiente enxerga isso na hora, e isso derruba a confiança que é justamente o ativo mais valioso nessa fase.

Como um founder deveria se preparar para conversar com investidores?

Menos ensaiando o pitch perfeito, mais tendo clareza real sobre o próprio negócio. As melhores conversas de investimento que tive não foram apresentações impecáveis, foram diálogos honestos com founders que conheciam profundamente o problema, sabiam onde estavam patinando e tinham uma visão convincente de para onde iam.

No estágio inicial, você não capta pela empresa que tem. Capta pela empresa que o investidor acredita que você é capaz de construir.

É essa leitura de founder que orienta o Entrypoint, o braço de investimento da NewHack. A gente entra cedo, quando ainda é mais sobre a pessoa do que sobre a planilha, e acompanha de perto, porque no estágio inicial capital sem proximidade rende pouco. Se você está construindo algo e quer uma conversa honesta sobre isso, é para founders assim que a gente existe.

Founder da NewHack e da Entrypoint, com 12 anos em venture capital e corporate venture: Wayra (CVC da Vivo), Eurofarma e Grupo Boticário. À frente de um fundo de R$ 40 milhões para startups pré-seed, escreve sobre o que investidores realmente olham em estágio inicial.